quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O MURO DE BERLIM E OS MUROS DO BRASIL por Luís Zadra

O muro de Berlim e o muro na frente do Congresso de Brasilia
Recentemente tive oportunidade de visitar a capital da Alemanha Berlim junto a minha família. Queria que meus filhos abordassem a temática do muro, a história que preparou este fato para entender como os muros de fato são o produto de uma sociedade.
Percorrendo as trilhas do muro marcadas no asfalto, olhando e tocando os restos do muro com tudo aquilo que está relacionado a história do nazismo, visitando os memoriais e lugares de visitação etc. pude perceber como uma grande maioria de visitantes era formada por jovens, estudantes da própria Alemanha com seus professores. Tudo escrito em alemão primeiro e inglês. Esta memoria concreta, a céu aberto, está exposta para o povo alemão, em primeiro lugar, para as gerações presentes e futuras, para lembrar os horrores que um povo na figura dos seus representantes pode promover por meio das suas escolhas políticas e da sua participação direta ou indireta. Mas o que me impressionou foi perceber que este povo, fruto desta história, faz questão de se deparar com seu passado recente dramático. Não considera página virada esta história, mas descortina suas mazelas, expõe suas feridas ainda vivas e as apresenta aos visitantes, locais e estrangeiros. Uma catarse, vontade de se regenerar/redimir para nunca mais repetir. Este muro da vergonha agora é motivo para reflexão, superação.
De volta ao Brasil me veio espontânea a comparação com nossos muitos muros brasileiros, ainda em parte encobertos, não assumidos, pouco mostrados para nossa sociedade que se considera ainda cordial, acolhedora, mas que não enfrentou seu passado antigo e recente dramático.
Parece que o processo de colonização, extermínio dos índios, escravidão dos negros africanos, golpes de estado e ditaduras sumiram como mágica da memória nacional. Cadê a memória do grande muro da escravidão do Brasil, do apartheid promovido pelo racismo ainda forte em nosso pais, os muros erguidos para dividir ricos de pobres. Se afirma que nossa sociedade não é conflitiva, não existem classes sociais. Os muros do analfabetismo que se coloca entre os que tem acesso ao saber e os que são excluídos dele.
Que bom seria que em todas nossas cidades tivéssemos monumentos aos negros, aos índios, as vítimas da ditadura, as vítimas de todo tipo de preconceito, memoriais aos resistentes que não se conformaram e não se conformam com esta sociedade injusta.
Que bom seria se os estudantes pudessem visitar as masmorras dos horrores da escravidão, perpetuada por elites predadoras, por uma sociedade escravocrata branca que ainda em parte quer perpetuar formas mais modernas de escravidão.
Que bom seria se nas escolas nosso passado triste fosse estudado para nunca mais repeti-lo.
Este pais foi construído sobre a destruição dos índios, o esmagamento dos escravizados, do proletariado mantido por séculos subjugado. E os muros mentais que separam as favelas da sociedade branca e que nunca foram derrubados? Os muros do preconceito de sexo? E a memória da ditadura que muitos ainda não chamam pelo nome e nem é colocada na berlinda da história recente do nosso pais? Os muros que se erguem no nosso parlamento por muitos corruptos incapazes de perceber sua desumanidade, sua ganancia, seu cinismo, incapazes de pronunciar o nome pobres, explorados, marginalizados. Quanto incomoda as elites ter que conviver no mesmo avião, na mesma universidade, em todo lugar possível com brasileiros que graças a políticas de inclusão acertadas tiveram a possibilidade de ser incluídos.
Muros e muros, histórias de exclusão, de dor mal contada ou nunca contada de injustiças monumentais que foram assimiladas e esquecidas na nossa sociedade?
Nosso pais é marcado por muros imensos. Até tem quem queira erguer muros para separar o norte do sul para isolar o nordeste.... nós, o país mais católico do mundo! E o muro quase simbólico erguido na frente do parlamento: dois lados separados porquê de fato representam os dois Brasis.
Enquanto o Brasil não tiver coragem de expor suas mazelas, suas feridas, revisitar seu passado dramático, para que não se perpetue no presente e no futuro, continuaremos nos iludindo. E para não fugir do grande muro que está sendo erguido pelo processo contra a democracia, pelo golpe, onde uma minoria de parlamentares desprezam a maioria do voto popular, a serviço de uma burguesia que não aceita um Brasil para todos mas quer continuar como o Brasil de minorias, sentados em cima dos que sempre foram excluídos. O cinismo e cegueira tomaram conta das nossas elites, insaciáveis abutres que sempre dominaram o pais.
Os parlamentares, muitos deles coroinhas covardes e aves de rapina que usam o voto do povo, muitas vezes comprado, para se perpetuar no poder e perpetuar seus padrinhos no espolio da riqueza que deveria ser de todos.

sábado, 17 de setembro de 2016

Estudantes do curso de história da UFPB visitam a exposição Áfricas

Teve um momento que pensei de ser Aristóteles com os seus alunos da escola peripatética na Atenas da antiga Grécia. Muito mais simplesmente não era mais que um simples fotógrafo e pesquisador apaixonado pelo continente africano tentando de repassar o seu imperfeito conhecimento a uma turma do curso de história da UFPB do mesmo jeito apaixonada em descobrir mais informações sobre os povos africanos.
Muito obrigado professora Solange Rocha por ter conseguido transmitir tanto interesse e tanto amor aos seus estudantes com a terra que deu origem a humanidade e na qual tem as raízes de uma grande parte do povo brasileiro.
Fotografias de Cibelle Lobo - Estação Cabo Branco.
















quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Mais uma prorrogação para a exposição Áfricas na Estação Capo Branco

Quem ainda não consegui visitar a exposição Áfricas na Estação Cabo Branco, tem uma nova oportunidade porque o prazo foi prorrogado. Aproveite, vale a pena para conhecer a realidade da África de ontem e de hoje.


para assistir ao vídeo clicar na imagem

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Em Cagliari a exposição “Il popolo quilombola: un Brasile sconosciuto” (O povo quilombola: um Brasil desconhecido)

São as pessoas que fazem a diferencia. E hoje tive a prova. Estou em Cagliari, acolhedora capital da Sardenha, para participar da inauguração da Exposição “Il popolo quilombola: un Brasile sconosciuto” (O povo quilombola: um Brasil desconhecido). E, falando em pessoas, começo com Kátia Luciani.
Faz alguns meses, Kátia veio ao Brasil para conhecer as nossas atividades com as comunidades quilombolas da Paraíba. Foi conosco em algumas visitas descobrindo uma realidade que a impressionou bastante e, logo, decidiu que, depois da sua volta à Itália, organizaria algo para nos ajudar a dar visibilidade a estas comunidades esquecidas pela sociedade. Kátia é uma mulher decidida: organizou de verdade uma exposição conseguindo envolver na experiência os amigos da sua associação “Genti de mesu”, em particular Valentina, Luisa e Nicola.
A exposição ficou no Centro comunitário de arte e cultura de Villa Muscas, com o patrocínio da prefeitura. O momento mais significativo foi o encontro de inauguração no espaço Ricos que colocou a disposição o seu jardim, onde foi possível partilhar as experiências junto a algumas leituras de textos de Luís Zadra. Um grande agradecimento pela interpretação aos amigos Silvia e Nicola. Uma noite especial, cheia de emoções, com pessoas profundamente engajadas com as lutas pelos direitos humanos das minorias.
Muito obrigado, Genti de mesu!


















“Il popolo quilombola: un Brasile sconosciuto” (O povo quilombola: um Brasil desconhecido), fotografias de Alberto Banal, curadoria de Lúcia França.