por Luís Zadra
A
chuva fina e teimosa não esmoreceu os quilombolas do Grilo que aderiram
ao
programa do PAA ( programa de aquisição de alimentos do governo federal
por
um preço justo). Todo mundo preparou o fruto do seu trabalho ( macaxeira,
coentro,
bananas) na frente da casa da mulher quilombola, no pé da ladeira
porque
o caminhão não podia subir por ser um caminho muito íngreme e
estreito.
São
4 mil quilos de alimentos, destinados ao quilombo Serra Feia no alto
sertão
da Paraíba. Eram previstos 6 mil quilos, mas não deu. Os funcionários
da
secretaria de desenvolvimento humano do estado e da Empaer organizaram
direitinho:
transporte, pesagem, emissão de nota fiscal e tudo correu sem
demora.
Esta é a primeira entrega de alimentos produzidos no quilombo Grilo,
o
começo promissor de muitas outras entregas. Os quilombolas outrora
dependentes
do dono da terra, se tornaram donos da mesma terra, de seu
território
ancestral no 2016 e agora produzem seus alimentos e são apoiados
pelo
PAA. Este apoio do governo que paga um preço justo, motiva os
lavradores
a produzir, a trabalhar a terra que conquistaram com muita luta. O
que
é bonito e significativo nisto tudo é que os alimentos são doados para um
quilombo
muito distante, na serra, que tem muitas famílias carentes. É
gratificante
constatar que a luta pela terra, pela conquista deste direito sagrado
se
torna também luta por dignidade, por autonomia, por liberdade. O caminho é
lento,
mas é o único caminho possível neste pais tão desigual onde para os
pobres
e negros em especial nada é garantido e os direitos têm que ser
conquistados.
Os quilombolas sabem muito bem o que significa ter ficado
sempre
debaixo de patrão, sempre mandados e explorados. A agricultura
familiar
tem que ser apoiada pelas políticas públicas do governo que garante a
sustentabilidade
por ser uma agricultura sujeita a precariedade e humor do
tempo,
por não ter estrutura solida para o escoamento da produção.
Os
quilombos que conquistaram suas terras são apenas seis, num montante
de
mais de cinquenta presentes na Paraíba. É uma luta desigual enfrentada
pelas
comunidades quilombolas com apoio de entidades.
O
quilombo tem sua associação legalizada, as decisões são tomadas em
conjunto
na assembleia mensal, todo mundo decide sobre o uso da terra. A
resistência
do povo quilombola, com suas lutas e falhas está sendo premiada
e
abre o caminho para dias melhores.
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