segunda-feira, 18 de maio de 2026

QUILOMBO GRILO: A PRIMEIRA ENTREGA DO PAA -12/05/2026

 por Luís Zadra


A chuva fina e teimosa não esmoreceu os quilombolas do Grilo que aderiram

ao programa do PAA ( programa de aquisição de alimentos do governo federal

por um preço justo). Todo mundo preparou o fruto do seu trabalho ( macaxeira,

coentro, bananas) na frente da casa da mulher quilombola, no pé da ladeira

porque o caminhão não podia subir por ser um caminho muito íngreme e

estreito.

São 4 mil quilos de alimentos, destinados ao quilombo Serra Feia no alto

sertão da Paraíba. Eram previstos 6 mil quilos, mas não deu. Os funcionários

da secretaria de desenvolvimento humano do estado e da Empaer organizaram

direitinho: transporte, pesagem, emissão de nota fiscal e tudo correu sem

demora. Esta é a primeira entrega de alimentos produzidos no quilombo Grilo,

o começo promissor de muitas outras entregas. Os quilombolas outrora

dependentes do dono da terra, se tornaram donos da mesma terra, de seu

território ancestral no 2016 e agora produzem seus alimentos e são apoiados

pelo PAA. Este apoio do governo que paga um preço justo, motiva os

lavradores a produzir, a trabalhar a terra que conquistaram com muita luta. O

que é bonito e significativo nisto tudo é que os alimentos são doados para um

quilombo muito distante, na serra, que tem muitas famílias carentes. É

gratificante constatar que a luta pela terra, pela conquista deste direito sagrado

se torna também luta por dignidade, por autonomia, por liberdade. O caminho é

lento, mas é o único caminho possível neste pais tão desigual onde para os

pobres e negros em especial nada é garantido e os direitos têm que ser

conquistados. Os quilombolas sabem muito bem o que significa ter ficado

sempre debaixo de patrão, sempre mandados e explorados. A agricultura

familiar tem que ser apoiada pelas políticas públicas do governo que garante a

sustentabilidade por ser uma agricultura sujeita a precariedade e humor do

tempo, por não ter estrutura solida para o escoamento da produção.

Os quilombos que conquistaram suas terras são apenas seis, num montante

de mais de cinquenta presentes na Paraíba. É uma luta desigual enfrentada

pelas comunidades quilombolas com apoio de entidades.

O quilombo tem sua associação legalizada, as decisões são tomadas em

conjunto na assembleia mensal, todo mundo decide sobre o uso da terra. A

resistência do povo quilombola, com suas lutas e falhas está sendo premiada

e abre o caminho para dias melhores.






terça-feira, 21 de abril de 2026

Prêmio Saberes Quilombolas

O MIR (@ministerioigualdaderacial ) em parceria com a UFRB (@ufrb_edu ) através do projeto Encruza (@encruza.ufrb ) lança no dia 06 de Abril de 2026 o “Prêmio Saberes Quilombolas” para todo o Brasil, com o período de inscrições do dia 09/04 até 30/05.

O Prêmio Saberes Quilombolas é um chamado ao reconhecimento daquilo que sustenta a vida nas comunidades quilombolas: a ancestralidade viva. Ele nasce para honrar mulheres e homens que, ao longo de décadas, cuidaram da memória coletiva, protegeram os territórios tradicionais e mantiveram acesa a chama dos saberes herdados de geração em geração.

Nas comunidades quilombolas, o conhecimento está na palavra dita na roda, na reza sussurrada ao amanhecer, no plantio que respeita o tempo da terra, na pesca que conhece o ritmo das águas, na luta firme contra toda forma de apagamento. As mestras e mestres são guardiãs e guardiões desses mundos. São referências éticas, espirituais e políticas. São quem ensina fazendo, vivendo, partilhando.

Este edital reconhece que esses saberes têm valor histórico, cultural e social inestimável. Reconhece que a defesa do território é também defesa da memória, da dignidade e do futuro. Reconhece que a (re)existência quilombola não é apenas passado, é presente e projeto de amanhã.

Valorizar essas trajetórias é afirmar que o Brasil se constrói também a partir dos quilombos. É compreender que sem seus saberes não há justiça, não há reparação, não há país inteiro. Este prêmio é, portanto, um gesto de respeito, de escuta e de compromisso com a continuidade das vidas, das lutas e dos territórios quilombolas.

O Prêmio Saberes Quilombolas foi criado para reconhecer pessoas que dedicaram a vida ao cuidado com a comunidade, à preservação dos saberes ancestrais e à defesa do território quilombola. É uma homenagem às trajetórias construídas com compromisso, resistência e amor pelo seu povo.

São 10 prêmios no valor de R$ 30 mil reais acompanhados do certificado de reconhecimento público.
O edital já está disponível em: https://www.premiosaberesquilombolas.com.br/

https://www.instagram.com/premiosaberesquilombolas

https://www.premiosaberesquilombolas.com.br/utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGn00wCnoYwYXSgBlSJi8lqBNiwjCtVToNaEcCicF2GvtOAfwV_Ary3zl87Bts_aem_dGWKC19rwojZxtAod4wY8w

              








quinta-feira, 26 de março de 2026

Nota Pública da Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba-CECNEQ/PB


Fonte: https://www.instagram.com/p/DWC1_Hrjx1O/?igsh=MXFnczM1dmRlazhwbg==

 Cursos beneficiam cinco comunidades quilombolas em Catolé do Rocha


O Projeto +Proteção Quilombola, uma iniciativa do Governo da Paraíba sob a gerência da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), chegou nessa segunda-feira, (16) a mais cinco Comunidades Quilombolas. Na cidade de Catolé do Rocha, no Sertão do Estado, o Projeto implantou os cursos de Corte e Costura e de Inteligência Artificial para moradores das comunidades São Pedro dos Migueis, Pau de Leite, Sítio Baixio, Lagoa Rasa e Curralinho Jatobá. O projeto já realizou cursos contemplando comunidades quilombolas de João Pessoa, Conde, Pombal, Alagoa Grande, Serra Branca e Catolé do Rocha. 

O +Proteção Quilombola tem por objetivo qualificar as mulheres e jovens das comunidades quilombolas para o mercado de trabalho por meio da oferta de cursos profissionalizantes nas áreas de Corte e Costura, Artes Visuais (com foco em elementos da cultura local); Artesanato e Identidade Cultural Quilombola; Embelezamento (cabelo e unha) e Inteligência Artificial para Jovens. Em todos os cursos, existe um módulo que trata da Assistência Social e Direitos Sociais. São ofertadas 50 vagas e carga horária mínima de 30 horas, e serão ministrados por meio de parceria com a Associação dos Quilombos da Paraíba, Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas (Cecneq) e da Associação de Promoção do Desenvolvimento Local (APDL).

A gerente Operacional dos Centros Social Urbano (CSU), Marília França, que na oportunidade representou a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Pollyanna Werton, destacou a importância da ação realizada pela Sedh nas comunidades quilombolas do Estado. “O governo reafirma seu compromisso com o bem-estar do povo paraibano, com foco especial naqueles que mais necessitam, como as comunidades quilombolas, que frequentemente enfrentam desafios relacionados à oportunidade e ao acesso a recursos. Assegurar que os investimentos ocorram dentro desses territórios representa um gesto de respeito, abrangência e fortalecimento da implementação das políticas públicas”, pontuou. 

E prosseguiu: “A Sedh já esteve presente em outras ocasiões estratégicas no município e reitera seu compromisso de continuar apoiando essas comunidades. Ao trazer novas oportunidades e investimentos, como programas de profissionalização e o fortalecimento da inclusão produtiva, a Secretaria demonstra o cumprimento dessa promessa”.

O coordenador estadual das Comunidades Negras e Quilombolas (Cecneq), José Amaro da Silva Neto, falou da importância de o Governo da Paraíba realizar essas qualificações para moradores das comunidades quilombolas: “A implementação desses cursos em Catolé do Rocha é de suma importância, gostaria de ressaltar que a iniciativa se estende a outras 50 comunidades em toda Paraíba. Esta iniciativa, que é fruto de parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Humano do Governo do Estado, a coordenação estadual e as comunidades quilombolas, visa promover e garantir maior dignidade à população rural, em especial às mulheres das comunidades quilombolas, por meio dos cursos oferecidos”.

Raunny Evangelista de Oliveira (14), aluno do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Professora Catarina de Sousa Maia, ressaltou que decidiu realizar o curso de inteligência artificial “para conseguir aprender mais coisas, conseguir melhorar não apenas em mexer no computador. E esse curso de informática pode ajudar muito no trabalho”.

A também estudante do 9º ano, Maria Vitória Santos Tavares (14), enfatizou a relevância do curso de Inteligência Artificial na sua vida. “Decidi fazê-lo porque o tema me atrai bastante, principalmente considerando a proeminência da Inteligência Artificial na sociedade contemporânea, e entre os jovens. A respeito da importância do curso, acredito que me proporcionará um melhor entendimento e um conhecimento mais aprofundado sobre a tecnologia e outros assuntos correlatos, o que também contribuirá para a minha formação acadêmica futura”, afirmou Vitória.